sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dúvida Cruel. Como descartar corretamente os medicamentos vencidos?

Como descartar corretamente os restos de medicamentos vencidos ou não? Não existe nenhuma regra. Você acha que se a população começar a cobrar soluções do poder público, é possível que os responsáveis pela saúde do país comecem a buscar respostas satisfatórias para o descarte correto?

Como e onde descartar (jogar fora) os remédios que não são mais utilizáveis?
by Telma M.
Há não muito tempo eu escrevi um texto sobre a forma correta para guardar medicamentos, “O banheiro não é o lugar adequado para se guardar medicamentos” e alguém postou um comentário perguntando sobre como se devem descartar medicamentos.
Quase todo mundo já comprou medicamentos um dia, e sobrou um pouco de xarope no vidro ou alguns comprimidos na cartela e até ampolas de injetáveis que não foram mais usadas.

Tempos depois percebeu que o prazo de validade venceu e o medicamento não pode mais ser consumido. O que fazer com os remédios vencidos?
Nestes casos, o jeito é jogar fora, tudo no lixo comum ou no vaso sanitário?
Como não tenho conhecimento de nenhuma legislação que oriente o descarte de medicamentos oriundos da farmácia caseira, fui pesquisar sobre o assunto.

Enviei mensagens para várias empresas farmacêuticas, inclusive algumas multinacionais bastante conhecidas, questionando-as sobre a existência de material educativo para a população.
Nenhuma empresa tinha literatura disponível e nem material promocional que tratasse do problema.

Resolvi, então, investigar o que as escolas de farmácia estão dizendo para seus alunos sobre como orientar a população a descartar seus medicamentos.
O resultado foi semelhante, professores alertam para o perigo de se jogar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário, mas ninguém orienta objetivamente como fazer o descarte caseiro de medicamentos.

O próximo passo foi investigar os órgãos públicos responsáveis pela saúde e meio-ambiente. Confesso que fiquei decepcionada com os resultados, pois não existe orientação.
Farmácias não aceitam sobras de medicamentos, tampouco a vigilância sanitária e os postos de saúde, muito menos as indústrias farmacêuticas.
O fato é que não existe legislação que regulamente o descarte de medicamentos em nível domiciliar, e isso é um facilitador para que ninguém se sinta obrigado a dar soluções para o problema.

Resta ao consumidor encontrar uma solução?
Afinal a população tem uma consciência ecológica, o que não tem é o local adequado para descartar seus remédios velhos.
Descobriu-se que grande parte da população descarta no lixo comum e no vaso sanitário.

Grande parte dessa farmacinha caseira são remédios que atuam no SNC (sistema nervoso central), antibióticos e muitas outras substâncias. Podemos imaginar os impactos negativos desses produtos químicos na natureza, nos rios, nos solos, nos animais.
A moralidade social faz com que nós consumidores fiquemos com um “baita” remorso por descartar nossos medicamentosos assim, mas não temos alternativas ecologicamente corretas.

Se houvesse postos de coleta, tenho absoluta certeza de que a população iria aderir facilmente.
Mas o que podemos fazer exatamente? Qual é o lugar adequado?
O consumidor não tem condições de dar solução para um problema tão grande, portanto vai continuar jogando seus medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário.
Portanto o problema persiste indefinidamente.

O blog do instituto akatu publicou um artigo bastante interessante e abrangente sobre o destino dos medicamentos a partir do consumidor final, mas a conclusão é clara: Não há ninguém trabalhando para resolver esse enorme problema ecológico, embora ele se agrave dia a dia e coloque a saúde da população em risco.

Comprar medicamentos fracionados, apenas a quantidade necessária, pode reduzir o problema, mas não resolve totalmente.
Criação de postos de coleta que encaminhem os medicamentos para o destino adequado, como incineração, seria uma forma melhor de dar um destino aos medicamentos oriundos das farmacinhas caseiras.

A solução poderia ser simples, como se pode ver no vídeo de uma farmácia de Porto Alegre, mas ainda são poucas as farmácias que aderiram a essa prática.


A sensação que eu tive após essa pesquisa é que consumidores, farmácias, postos de saúde, vigilâncias sanitárias e indústrias, todos sabem que não se pode jogar no lixo comum, mas ninguém faz nada porque o problema não é de ninguém.

Você acha que se a população começar a cobrar soluções do poder público, é possível que os responsáveis pela saúde do país comecem a buscar respostas satisfatórias para o descarte correto da farmacinha caseira?
 

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3 comentários:

  1. Tenho uma grande preocupação com o descarte incorreto dos medicamentos vencidos, uma vez que a população fica sem orientação sobre o descarte correto destes, pois ainda não houve uma verdadeira preocupação dos legisladores para que se crie leis que determine onde decartar medicamentos vencidos e quem o responsável pelo recolhimento. Sabe-se que o vaso e os esgotos não é a melhor forma para seu descarte pois este tipo de descarte poderá acarretar danos ao meio ambiente, e quando este afeta o meio ambiente , afeta de forma direta a população pois vivemos neste ambiente.
    Li uma certa vez que medicamentos quando jogados nos esgotos tornam os microorganismos patogênicos encontrados nos rios mais fortes trazendo sérios danos à saúde da população.
    Acredito que os medicamentos vencidos poderiam se encaixar o seu descarte junto com os resíduos de serviço de saúde. Talvez assim poderia se minimizar alguns problemas. É claro que há algum riscom mas devemos lembrar que todo e qualquer tipo de resíduos há risco, uns mais outros menos, mas pelo menos estes teriam lugares apropriados para seu descarte.

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  2. Parabéns, artigo muito bem escrito. Eu como farmacêutica e proprietária de farmácia há muito me preocupo com esta situação. Aqui no RS (não sei como é no resto do país), somos obrigados a contratar uma empresa (paga mensalmente)que recolhe medicamentos vencidos.Não podemos no entanto arcar com o ônus de recolher medicamentos que sobram de tratamentos dados em postos de saúde e outras farmácias. Imagine a situação de francos de medicamentos líquidos e pomadas vazando...
    Caberia ao próprio município recolher suas sobras, já que tão pouco obtemos dos impostos recolhidos.

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    Respostas
    1. Olá Anônima, também sou farmacêutica, pena você não ter se identificado.
      Eu defendo a ideia de haver postos de coleta amplamente espalhados. Tão abundantes quanto farmácias, hospitais, postos de saúde e todo estabelecimento ligado à saúde, inclusive municipais.
      Obrigada por seu comentário. Seja sempre bem vinda para opinar e trocar ideias.
      Abraços

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