sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Apneia e hipopneia obstrutiva do sono. Uma síndrome que atrapalha o sono revigorante.

A Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) é um dos principais distúrbios do sono. A evolução dos estudos e o aumento da disponibilização dos recursos diagnósticos e terapêuticos permitiram melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Síndrome de apneia-hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS)
by Roberto M.
O que é a apneia do sono? Como saber se alguém tem apneia do sono? Apneia do sono tem cura? A apneia do sono é perigosa, pode matar? O que é hipopneia?

Entende-se por apneia, a obstrução completa do fluxo de ar através do nariz ou da boca por um período de pelo menos dez segundos. A hipopneia seria uma redução de 30 a 50 % desse fluxo.

A apneia do sono, que também é conhecida como apneia noturna ou Síndrome de Apneia-hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS), é uma doença crônica e progressiva que obstrui parcial ou totalmente as vias aéreas superiores durante o sono. Ela causa a interrupção da passagem do ar pela garganta várias vezes durante o período de sono.

Se uma pessoa tem um índice de distúrbio respiratório (número de episódios de apneia-hipopneia por hora de sono) maior que cinco, ela já pode ser considerada portadora de apneia do sono, embora, normalmente, índices de até 20 sejam ainda assintomáticos.

DESCRIÇÃO DA DOENÇA

A Síndrome da Apneia do Sono (SAS) é caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias respiratórias superiores enquanto a pessoa está dormindo. Isso acontece porque há um relaxamento excessivo da musculatura ou ainda em virtude de alterações anatômicas da garganta que atrapalham a passagem do ar.
Esse quadro gera o ronco e reduz o fluxo de ar para os pulmões, interferindo na oxigenação do organismo e determinando um esforço respiratório muito maior durante a noite.

Quando isso acontece, o cérebro detecta o problema e faz com que a pessoa acorde, fazendo com que os músculos da garganta se contraiam e se abram para a passagem do ar. Esse despertar é inconsciente, a pessoa não percebe, e como há uma tendência dessa sequência acontecer diversas vezes durante a noite, a qualidade do sono é diminuída significativamente.

É o mais importante e frequente distúrbio do sono e acomete todas as faixas etárias e ambos os sexos, independentemente do peso, embora seja mais comum nos obesos ou em quem tenha sobrepeso.

SINTOMAS

Os principais sintomas da Apneia Obstrutiva do Sono são o ronco, episódios visíveis de interrupção respiratória e a sonolência diurna.
A sequência de obstruções respiratórias e os respectivos despertares impedem que o sono atinja as fases reparadoras, fundamentais para o descanso, causando cansaço, sono excessivo durante o dia, dificuldade de permanecer acordado durante conversas telefônicas ou na direção de automóveis.

Além disso, a fragmentação da arquitetura do sono causa irritabilidade, suor noturno, problemas de memória, dificuldade de concentração, urinar com frequência durante a noite, dor de cabeça pela manhã, dor no peito ou desconforto, que são outros sinais que indicam a doença.

CONSEQUÊNCIAS

Entretanto, as consequências da Apneia Obstrutiva do Sono não se restringem às noites mal dormidas ou ao ronco inconveniente aos parceiros de quarto. Estudos apontam a associação da apneia do sono com uma maior ocorrência de infartos, derrames e arritmias cardíacas, além de mostrarem que a mortalidade entre os portadores da síndrome é muito maior entre os que não recebem tratamento adequado.

DIAGNÓSTICO

Para se estabelecer o diagnóstico de certeza da apneia obstrutiva do sono é utilizado o exame de polissonografia. Esse exame analisa o sono e suas variáveis fisiológicas, testando, enquanto o paciente dorme, os potenciais elétricos da atividade cerebral, dos batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório, a saturação de oxigênio no sangue, o movimento das pernas e outros parâmetros.

O exame é realizado à noite, em ambientes agradáveis e camas confortáveis, tudo adequado para um bom sono.
O paciente dorme com sensores fixados ao corpo e que permitem o registro de todas as variáveis do sono. Os sensores são fixados de modo a permitir que o paciente se movimente durante o sono, sem interrompê-lo.

TRATAMENTOS

São os sintomas, a gravidade e o resultado do exame de polissonografia que definirão o tratamento adequado à apneia do sono. Há tratamentos cirúrgicos e não cirúrgicos.

Como um dos tratamentos não cirúrgicos podemos colocar a terapia comportamental focada para a mudança de hábitos de vida (com consequente amenização da doença) que tem como princípios as seguintes recomendações:

- emagrecimento;
- evitar dormir de barriga para cima;
- Manter horários regulares para dormir e acordar;
- evitar a ingestão de álcool ao menos quatro horas antes de dormir;
- evitar refeições pesadas antes de deitar;
- elevar a cabeceira da cama em 15 a 20 cm;

Essas mudanças de hábito, não curam o paciente, mas oferecem uma melhor qualidade ao sono.

Outro procedimento não cirúrgico é o dispositivo de ventilação com pressão negativa (aparelho tipo máscara que mantém a garganta sempre aberta durante o sono).
Há ainda, como opção de tratamento não cirúrgico, a prótese dentária, que eleva a mandíbula e retém a língua durante o sono, impedindo-a de obstruir a garganta.

Quanto aos tratamentos cirúrgicos, a indicação vai depender da causa, do grau de obstrução, da idade e da constituição física do paciente.
Tratamento cirúrgico está sempre indicado para a remoção de obstáculos e correção de distúrbios anatômicos que dificultem a passagem de ar.

São várias opções:
- Cirurgia de adenoide (carne esponjosa atrás do céu da boca);
- cirurgia das amígdalas;
- Cirurgia de desvio do septo;
- Cirurgia de desvio da língua, dos maxilares, da mandíbula, entre outras.
Imagem: cortesia de "Imagerymagestic" em FreeDigitalPhotos.net

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