segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Labirintite: Inflamação do labirinto – Um dos distúrbios do sistema vestibular.

Labirintite é uma afecção do ouvido interno. Isso faz com que uma estrutura delicada e profunda dentro do ouvido chamada labirinto fique inflamada, afetando a audição e o equilíbrio. Conheça os sintomas, o diagnóstico e o tratamento da labirintite

Ilustração sugerindo sintomas de labirintite. Uma pessoa girando com tonturas.
by Roberto M.
Outro dia fiz uma postagem falando, de uma maneira geral, de todos os problemas que acontecem quando existe alguma disfunção no sistema vestibular.
Entenda-se como sistema vestibular as partes do ouvido interno e do cérebro que processam as informações sensoriais envolvidas com o controle de equilíbrio e dos movimentos oculares.
Hoje, vou falar mais especificamente de uma dessas vestibulopatias, a labirintite.
É muito comum, quando se tem tontura ou vertigem, associar esses sintomas à labirintite. Entretanto, nem sempre esse tipo de sintoma é causado por uma inflamação no labirinto.

Lembre-se que o sufixo (-ite), em medicina, significa inflamação, ou seja, assim como meningite é a inflamação das meninges e apendicite é a inflamação do apêndice, labirintite é a inflamação do labirinto.
A Labirintite é apenas uma das disfunções do sistema vestibular. Vamos falar sobre ela um pouquinho mais.

LABIRINTO


O ouvido interno, conhecido como labirinto é a parte mais interna do ouvido. Ele contém duas partes importantes:
- a cóclea – que leva os sons para o cérebro e é responsável pela audição
- o vestíbulo- um conjunto complexo de canais cheios de líquido que contribui para o senso de equilíbrio, estabilidade e orientação espacial.

Esquema do ouvido interno ou labirinto

Uma Inflamação do labirinto pode perturbar a audição e o senso de equilíbrio, provocando os sintomas de labirintite.

O labirinto geralmente torna-se inflamado por causa de:
- uma infecção viral, tal como uma gripe
- uma infecção bacteriana, que é muito menos comum

LABIRINTITE E NEURITE VESTIBULAR

Labirintite e Neurite vestibular são doenças resultantes de uma afecção que inflama o ouvido interno ou os nervos que ligam o ouvido interno ao cérebro. Esta inflamação interrompe a transmissão de informações sensoriais do ouvido ao cérebro e podem resultar vertigens, tonturas e dificuldades com o equilíbrio, visão ou audição.

Muitas pessoas diagnosticadas com labirintite apresentam unicamente os sintomas de equilíbrio sem perda auditiva. Este é na verdade conhecido como neuronite vestibular em vez de labirintite. No entanto, ambos os termos são muitas vezes utilizados para descrever o mesmo diagnóstico.

Afecções do ouvido interno são geralmente virais; menos frequentemente, a causa é bacteriana. Tais infecções do ouvido interno não são as mesmas infecções do ouvido médio, que são do tipo de infecções bacterianas comuns na infância que afetam a área em torno do tímpano.

Labirintite é uma doença inflamatória do ouvido interno, ou labirinto. Clinicamente, esta condição produz distúrbios do equilíbrio e da audição em diferentes graus e pode afetar um ou ambos os ouvidos. As bactérias ou vírus podem provocar uma reação inflamatória aguda do labirinto em conjunto com infecções locais ou sistémicas. Processos auto-imunes também podem causar labirintite.

Isquemia vascular pode resultar em disfunção labiríntica aguda que imita a labirintite mas sem apresentar a inflamação. Níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico podem acarretar alterações dentro das artérias, que reduzem a quantidade de sangue circulando nas áreas do cérebro e do labirinto.

SINTOMAS DA LABIRINTITE

A fase aguda da doença pode durar de minutos ou horas a dias conforme a intensidade da crise.

Os sintomas mais comuns são:
- tonturas e vertigens associadas ou não a náuseas,
- perda auditiva (de perda leve a perda total da audição),
- vômitos, sudorese, alterações gastrintestinais,  desequilíbrio.

Estes sintomas podem variar de leve a grave, com algumas pessoas tendo a sensação de que são incapazes de permanecer em pé.
Na vertigem rotatória clássica, a sensação é que o ambiente gira ao redor do corpo, ou que este roda em relação ao ambiente. Na tontura, a sensação é de desequilíbrio, instabilidade, de pisar no vazio, de queda.

Outros sintomas incluem:
- sensação de pressão dentro do ouvido
- chiado e zumbido no ouvido
- fluido ou pus vazando da orelha
- dor de ouvido
- enjoo (náuseas)
- temperatura elevada (febre) de 38C ou superior
- alterações na visão, tais como visão turva ou visão dupla
- dores de cabeça leves

Certas coisas podem piorar a vertigem, incluindo:
- resfriados ou doenças
- o escuro
- permanência em áreas congestionadas ou pequenas salas
- cansaço
- período de menstruação das mulheres
- caminhada

TRATAMENTO DA LABIRINTITE

Na maioria dos casos, os sintomas somem dentro de algumas semanas.
O tratamento envolve uma combinação de repouso e medicação para ajudar a lidar melhor com os sintomas.

Às vezes, será necessário o uso de medicação adicional para combater a infecção subjacente, embora os antibióticos não sejam sempre necessários pois a causa é mais comumente devido a vírus.
Uma vez estabelecida a causa e estabelecido o tratamento adequado, a tendência é a doença desaparecer.

São vários os tipos de medicamentos que podem ser indicados no tratamento da labirintite:
- Vasodilatadores: facilitam a circulação sanguínea e melhoram o calibre dos vasos muitas vezes reduzido pelas placas de ateromas;
- Labirinto-supressores: suprimem a tontura pela ação no sistema nervoso;
- Anticonvulsivantes e antidepressivos (inibidores seletivos de re-captação da serotonina);
- Drogas que atuam sobre outros sintomas, suprimindo a náusea, o vômito, o mal-estar.

Avise o médico se não houver qualquer melhora após três semanas. Um pequeno número de pessoas tem sintomas persistentes que duram vários meses, ou talvez anos. Isto requer um tipo mais intensivo de tratamento chamado terapia de reabilitação vestibular (VRT).

QUEM SOFRE DE LABIRINTITE

A maioria dos casos de labirintite viral ocorre em adultos com idades entre 30 a 60 anos de idade.
Labirintite viral é relativamente comum em adultos. Outros tipos de infecções do ouvido são geralmente mais generalizada em crianças.
Labirintite bacteriana é muito menos comum. As crianças mais jovens com menos de dois anos de idade são mais vulneráveis ao desenvolvimento de labirintite bacteriana.

COMPLICAÇÕES DA LABIRINTITE

Labirintite bacteriana carrega um maior risco de provocar a perda permanente da audição, particularmente em crianças que desenvolveram-na como uma complicação de meningite. Devido a este alto risco, um teste de audição é recomendado após a labirintite bacteriana.
Perda auditiva severa após labirintite bacteriana, às vezes, pode ser tratada com um implante coclear. Este não é um aparelho convencional, mas um pequeno dispositivo eletrônico instalado sob a pele atrás da orelha durante uma cirurgia.


DIAGNÓSTICO DA LABIRINTITE

Muitas condições podem causar tontura e vertigem. As seguintes enfermidades podem provocar sintomas bastante parecidos: hipoglicemia, diabetes, hipertensão, reumatismo, doença de Mèniére, esclerose múltipla, tumores no nervo auditivo, no cerebelo e em áreas do tronco cerebral, drogas ototóxicas, doenças imunológicas e a cinetose, também chamada de doença do movimento que não tem ligação com as doenças vestibulares ou do labirinto.

Por isso, a avaliação clínica e o exame otoneurológico completo são muito importantes para estabelecer o diagnóstico da labirintite, especialmente o diagnóstico diferencial
O médico, normalmente, irá diagnosticar labirintite com base nos sintomas, histórico médico e um exame físico.

Poderão ser realizados os seguintes testes:
- exame físico – movimento da cabeça ou corpo e ouvidos para verificar se há sinais de inflamação e infecção
- testes de audição – na labirintite é mais provável que se tenha perda auditiva
- verificação dos olhos – se eles estiverem piscando de forma incontrolável, geralmente, é um sinal de que o sistema vestibular (sistema de equilíbrio do corpo) não está funcionando corretamente.
- tomografia computadorizada e a ressonância magnética, podem ser úteis para fins diagnósticos.


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