quinta-feira, 8 de junho de 2017

Pré-eclâmpsia e suas complicações: Eclâmpsia e Síndrome Hellp. Sintomas, causas e tratamentos

A pré-eclâmpsia é uma condição que afeta algumas mulheres grávidas, geralmente, durante a segunda metade da gravidez (cerca de 20 semanas) ou logo após o nascimento do bebê. Ela se caracteriza por hipertensão arterial e perda de proteína na urina.

Foto mostrando o monitoramento da hipertensão em uma gestante para prevenção da pré-eclâmpsia e suas complicações. Síndrome HELLP
by Roberto M.
A pré-eclâmpsia é uma doença que ocorre na gravidez.
Felizmente, é um mal que acomete uma porcentagem bem pequena das gestantes: a pré-eclâmpsia ocorre em cerca de 8% das gestações e desses casos, 75% dos casos costumam ser leves e 25% costumam ser graves.
Sendo assim, cerca de 6% das gestações costumam apresentar pré-eclâmpsia leve e cerca de 2% das gestações costumam apresentar pré-eclâmpsia grave.

Mas afinal, o que é pré eclâmpsia?
A pré eclâmpsia é o aumento excessivo da pressão arterial da gestante, associado à perda de proteínas pela urina, que pode se complicar e levar à eclâmpsia ou à síndrome de HELLP.

Existem 3 tipos de hipertensão que podem ocorrer durante a gravidez: a hipertensão crônica (a paciente já tinha antes de ficar grávida e continuará tendo durante e depois da gestação); a hipertensão gestacional (aparece somente depois da 20ª semana de gestação em mulheres que nunca tiveram pressão arterial alta) e a pré-eclâmpsia (pressão arterial alta após a 20ª semana de gravidez, associado à perda de proteínas na urina).


SINTOMAS DA PRÉ-ECLÂMPSIA

Portanto, os primeiros sinais de pré-eclâmpsia incluem pressão alta (hipertensão) e proteína na urina (proteinúria). (Leia: Hipertensão. A assassina silenciosa.)
É improvável que a doente observe esses sinais sozinha; eles devem ser descobertos durante as consultas pré-natais de rotina.

Em alguns casos, outros sintomas podem se desenvolver:
1 - Inchaço dos pés, tornozelos, rosto e mãos causados pela retenção de líquidos (edema)
3 - Problemas de visão
4 - Dor abaixo das costelas

Se alguma mulher grávida notar quaisquer dos sintomas de pré-eclâmpsia, é aconselhável procurar conselho médico imediatamente.
Embora a maioria dos casos sejam leves, a condição pode levar a complicações graves tanto para a mãe quanto para o bebê se não for monitorada e tratada.
Quanto mais cedo a pré-eclâmpsia for diagnosticada e monitorada, melhor será a perspectiva para a mãe e para o bebê.

QUEM É AFETADO PELA PRÉ-ECLÂMPSIA

A pré-eclâmpsia leve afeta até 6% das gravidezes e os casos graves ocorrem em cerca de 2% das gravidezes.

Há uma série de coisas que podem aumentar as chances de se desenvolver pré-eclâmpsia:
1 - Ter diabetes, hipertensão ou doença renal antes de iniciar a gravidez. (Leia: Os vários tipos de Diabetes: Tipo 1, Tipo 2 e Gestacional.)
2 - Ter outras doenças, como a síndrome do lúpus ou antifosfolipídicos
3 - Ter desenvolvido a condição durante uma gravidez anterior

Outras coisas que podem aumentar ligeiramente as chances de desenvolvimento da pré-eclâmpsia incluem:
1 - Ter uma história familiar da condição
2 - Ter mais de 40 anos
3 - Ter decorrido pelo menos 10 anos desde a última gravidez
4 - Estar esperando bebês múltiplos (gêmeos ou trigêmeos)
5 - Ter um índice de massa corporal (IMC) de 35 ou mais

Quem tem dois ou mais desses sintomas ao mesmo tempo, tem as chances de desenvolvimento da pré-eclâmpsia aumentadas.

AS CAUSAS DA PRÉ-ECLÂMPSIA

Embora a causa exata da pré-eclâmpsia não seja conhecida, pensa-se que ocorre quando há algum problema com a placenta (o órgão que liga o suprimento de sangue do bebê à mãe), que não se desenvolve devidamente por causa de problemas com os vasos sanguíneos que a alimentam.

Placenta
A placenta é o órgão que liga o suprimento de sangue da mãe ao suprimento de sangue do feto. Os alimentos e o oxigênio passam pela placenta da mãe para o bebê. Os resíduos de produtos passam do bebê de volta para a mãe através da placenta. Para apoiar o bebê em crescimento, a placenta precisa de um grande e constante suprimento de sangue da mãe.
Na pré-eclâmpsia, a placenta não recebe sangue suficiente. Isso pode ser porque a placenta não se desenvolveu adequadamente à medida que se formou durante a primeira metade da gravidez.

O problema com a placenta significa que o suprimento de sangue entre mãe e bebê é deficiente. Sinais ou substâncias da placenta danificada afetam os vasos sanguíneos da mãe, causando alta pressão arterial (hipertensão).
Ao mesmo tempo, problemas nos rins podem causar que proteínas importantes que deveriam permanecer no sangue da mãe passem a sair pela urina, resultando em proteína na urina (proteinúria).

O que causa problemas com a placenta?
Nos estágios iniciais da gravidez, o ovo fertilizado se implanta na parede do útero. O útero é o órgão onde um bebê cresce durante a gravidez. O ovo fertilizado produz crescimentos semelhantes a raízes, que ajudam a ancorá-lo ao revestimento do útero.
Essas “raízes” são alimentadas com nutrientes através de vasos sanguíneos no útero e que,eventualmente, crescem na placenta. Durante os estágios iniciais da gravidez, esses vasos sanguíneos mudam de forma e se tornam mais amplos.

Se os vasos sanguíneos não se transformarem completamente, é provável que a placenta não se desenvolva adequadamente porque não obterá nutrientes suficientes.
Isso pode levar à pré-eclâmpsia.
Ainda não está claro por que os vasos sanguíneos não se transformam como deveriam. É provável que heranças genéticas tenham algum tipo de papel, já que a condição ocorre, com frequência,  em algumas famílias. No entanto, isso apenas explica alguns casos.

Quem está em maior risco?
Foram identificados alguns fatores que poderiam aumentar as chances de desenvolvimento da pré-eclâmpsia. Entre eles estão:
1 - Ter um problema médico pré-existente: como diabetes, doença renal, hipertensão arterial, síndrome de lúpus ou antifosfolipídicos
2 - Ter tido, anteriormente, pré-eclâmpsia: há aproximadamente 16% de chance de se desenvolver a condição novamente em gravidezes posteriores.

Alguns fatores também aumentam levemente as chances de pré-eclâmpsia. Quem tiver dois ou mais desses fatores juntos, tem as chances aumentadas:
1 – Primeira gravidez: é mais provável que a pré-eclâmpsia ocorra durante a primeira gravidez do que durante qualquer gravidez subsequente.
2 - Decorreram pelo menos 10 anos desde a última gravidez.
3 - Existe histórico familiar da condição - por exemplo, mãe ou irmã tiveram pré-eclâmpsia.
4 - Idade superior a 40 anos.
5 – Obesidade no início da gravidez (índice de massa corporal de 35 ou mais).
6 – Gravidez múltipla, como gêmeos ou trigêmeos.


TRATAMENTO DA PRÉ-ECLÂMPSIA

A grávida que for diagnosticada com pré-eclâmpsia, deverá ser encaminhada para uma avaliação por especialista, geralmente no hospital.
Enquanto estiver no hospital, será monitorada de perto para determinar quão grave é a condição e se é necessária uma internação hospitalar.

Se só tiver pressão alta, sem sinais de pré-eclâmpsia, geralmente pode voltar para casa. Mas, deve ter avaliações regulares (possivelmente diárias).
Se a pré-eclâmpsia for confirmada, geralmente haverá a necessidade de se ficar no hospital até que o bebê possa nascer.

A única maneira de curar a pré-eclâmpsia é a retirada do bebê, então, geralmente haverá um monitoramento regular até que seja possível a execução do parto. Isso normalmente será em torno de 37 a 38 semanas de gravidez, mas pode ser anterior em casos mais graves.

Neste ponto, o trabalho pode ser iniciado artificialmente (induzido) ou  pode ser executada uma cesariana.
Alguma medicação pode ser recomendada para diminuir a pressão arterial enquanto se espera o nascimento do bebê.

Monitoramento no hospital
Enquanto estiver no hospital, a mãe e o bebê serão monitorados das seguintes maneiras:
1 - A pressão arterial será verificada regularmente para antever quaisquer aumentos anormais.
2 - As amostras de urina serão tomadas regularmente para medir os níveis de proteína.
3 - Vários exames de sangue - para verificar a saúde dos rins e fígado, por exemplo.
4 – Poderão ser feitos exames de ultra-som para verificar o fluxo sanguíneo através da placenta, medir o crescimento do bebê e observar a respiração e os movimentos do bebê.
5 - A freqüência cardíaca do bebê poderá ser monitorada eletronicamente em um processo chamado cardiotocografia (CTG), que poderá detectar qualquer estresse ou angústia no bebê.

Medicação para hipertensão arterial
A medicação é recomendada para ajudar a diminuir a pressão arterial. Esses medicamentos reduzem a probabilidade de complicações graves, como o AVC.

O nascimento do bebê
Na maioria dos casos de pré-eclâmpsia, recomenda-se que o bebê tenha cerca de 37 a 38 semanas de gravidez. Isso pode significar que o trabalho de parto deva ser iniciado artificialmente (conhecido como trabalho induzido) ou, caso necessário, por uma cesariana.

Isso é recomendado porque a pesquisa sugere que não há nenhum benefício em esperar que o trabalho comece por si próprio depois desse ponto. O nascimento do  bebê mais cedo também pode reduzir o risco de complicações da pré-eclâmpsia.

Se a condição se tornar mais grave antes de 37 semanas e houver graves preocupações com a saúde da mãe ou do seu bebê, pode ser necessário um parto mais adiantado. Os partos antes de 37 semanas são conhecidos como partos prematuros e os bebês nascidos antes deste ponto podem não estar totalmente desenvolvidos.

Após o parto
Embora a pré-eclâmpsia, geralmente, melhore logo após o nascimento do bebê, as complicações, às vezes, podem se desenvolver alguns dias depois. A mãe pode precisar ficar no hospital após o parto, para que possa ser monitorada.

O bebê também pode precisar ser monitorado e ficar em uma unidade de cuidados intensivos neonatais do hospital, caso tenha nascido prematuramente. Essas unidades possuem instalações que podem replicar as funções do útero e permitir que o bebê se desenvolva totalmente. Uma vez que seja seguro fazê-lo, o bebê poderá ser levado para casa.

Normalmente, a pressão arterial da mãe deverá estar regular depois de sair do hospital e, talvez, seja necessário continuar a tomar medicação para diminuir a pressão arterial durante várias semanas.
É recomendável uma consulta pós-natal de seis a oito semanas após o nascimento do bebê para verificar o progresso e decidir se qualquer tratamento precisa continuar.


COMPLICAÇÕES DA PRÉ-ECLÂMPSIA

Embora a maioria dos casos de pré-eclâmpsia não cause problemas e melhore logo após o parto do bebê, existe o risco de complicações graves que podem afetar a mãe e o bebê.

ECLÂMPSIA – CONVULSÕES

Ao contrário do que se pensava antigamente e do que os nomes pré-eclâmpsia e eclâmpsia possam sugerir, uma doença não é evolução da outra. A eclâmpsia é, na verdade, apenas uma manifestação grave da pré-eclâmpsia.
A caracterização da eclâmpsia descreve um tipo de convulsão (contração involuntária dos músculos) que as mulheres grávidas podem experimentar, geralmente da semana 20 da gravidez ou imediatamente após o nascimento.

Durante uma convulsão devida à eclâmpsia, os braços, pernas, pescoço ou mandíbula da mãe se contrairão involuntariamente em movimentos repetitivos e bruscos. Ela pode perder a consciência e se molhar urinando. As convulsões geralmente duram menos de um minuto.

Embora a maioria das mulheres se recupere completamente após ter eclâmpsia, há um pequeno risco de incapacidade permanente ou danos cerebrais se os ataques forem graves.
Daquelas que têm eclâmpsia, cerca de 1 em 50 morrerão da condição. Os bebês não nascidos podem sufocar durante uma convulsão e 1 em 14 podem morrer.

SÍNDROME HELLP

A síndrome HELLP é a forma grave de pré-eclâmpsia.
A síndrome HELLP são distúrbios raros no fígado e na coagulação do sangue que podem afetar mulheres grávidas. É mais provável que ocorra imediatamente após o bebê nascer, mas pode aparecer a qualquer momento após 20 semanas de gravidez e em casos raros antes de 20 semanas.

As letras no nome HELLP representam cada parte da condição:
- "H" é para hemólise - é aqui que os glóbulos vermelhos do sangue se quebram
- "EL" é para enzimas hepáticas elevadas (proteínas) - um elevado número de enzimas no fígado é um sinal de dano hepático
- "LP" é para baixa contagem de plaquetas - as plaquetas são substâncias no sangue que ajudam a coagular

A síndrome HELLP é potencialmente tão perigosa quanto a eclâmpsia e é um pouco mais comum. A única maneira de tratar a condição é o parto o mais rápido possível. Uma vez que a mãe esteja no hospital e receba tratamento, é possível que ela tenha uma recuperação completa.

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL – AVC

O fornecimento de sangue ao cérebro pode ser perturbado como resultado da pressão arterial elevada. Isso é conhecido como hemorragia cerebral ou acidente vascular cerebral. Se o cérebro não recebe oxigênio e nutrientes suficientes do sangue, as células cerebrais começarão a morrer, causando dano cerebral e possivelmente a morte.

PROBLEMAS DE ÓRGÃOS

1 - Edema pulmonar - onde o fluido se acumula nos pulmões e ao redor deles. Isso impede que os pulmões funcionem corretamente impedindo que eles absorvam oxigênio.
2 - Falha nos rins - quando os rins não podem filtrar os resíduos do sangue. Isso faz com que toxinas e fluidos se acumulem no corpo. (Leia: Entenda a Insuficiência Renal e saiba como tratá-la.)
3 - Falha hepática - ruptura das funções do fígado. O fígado tem muitas funções, incluindo a digestão de proteínas e gorduras, produzindo bile e removendo toxinas. Qualquer dano que perturbe essas funções pode ser fatal.


TRANSTORNO DE COAGULAÇÃO DO SANGUE

O sistema de coagulação do sangue da mãe pode quebrar. Isto é conhecido medicamente como "coagulação intravascular disseminada".
Isso pode resultar em hemorragia demais porque não há proteínas suficientes no sangue para fazer coágulo, ou em coágulos sanguíneos desenvolvidos em todo o corpo porque as proteínas que controlam a coagulação do sangue tornam-se anormalmente ativas.
Estes coágulos sanguíneos podem reduzir ou bloquear o fluxo sanguíneo através dos vasos sanguíneos e possivelmente danificar os órgãos.


PROBLEMAS QUE AFETAM O BEBE

Os bebês de algumas mulheres com pré-eclâmpsia podem crescer mais lentamente no útero do que o normal, porque a condição reduz a quantidade de nutrientes e oxigênio que passam da mãe para o bebê. Esses bebês geralmente são menores do que o habitual, especialmente se a pré-eclâmpsia ocorre antes de 37 semanas.

Se a pré-eclâmpsia é grave, um bebê pode precisar nascer antes de estar totalmente desenvolvido. Isso pode levar a complicações graves, como dificuldades respiratórias causadas pelos pulmões não totalmente desenvolvidos (síndrome do desconforto respiratório neonatal). Nesses casos, o bebê geralmente precisa permanecer em uma unidade de terapia intensiva neonatal para que possa ser monitorado e tratado.

Alguns bebês de mulheres com pré-eclâmpsia podem até morrer no útero e ser um natimorto. Entretanto, a maioria dos bebês morrem devido a complicações relacionadas ao parto precoce.

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