quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Vestibulopatias: Distúrbios do Sistema Vestibular – Uma visão geral

O sistema vestibular pode ser dividido em dois sistemas principais: o sistema central (cérebro e tronco cerebral) e o sistema periférico (ouvido interno e os caminhos para o tronco cerebral). Desordens em qualquer parte do sistema vestibular causam esmagadoras tonturas, vertigens e outros sintomas que não podem ser vistos e são difíceis para os outros entenderem.

Foto mostrando uma mulher com tontura ou vertigem, sintomas dos distúrbios do sistema vestibular, as vestibulopatias, problemas de equilíbrio.
by Roberto M.
Em outra postagem, falei sobre o funcionamento do nosso sistema auditivo, da estrutura do ouvido e de como esse sistema contribui na manutenção do nosso equilíbrio.
Hoje vou falar dos problemas que podem surgir quando alguma deficiência acontece em qualquer parte do nosso sistema vestibular.

O sistema vestibular inclui as partes do ouvido interno e do cérebro que processam as informações sensoriais envolvidas com o controle de equilíbrio e dos movimentos oculares.
Se uma doença ou lesão causar danos a estas áreas de processamento, distúrbios vestibulares poderão ocorrer. Distúrbios vestibulares, também podem resultar ou serem agravados por condições ambientais ou genéticas. Podem ocorrer, também, por razões desconhecidas.

Tonturas, vertigens e desequilíbrio são sintomas comuns relatados por adultos durante suas visitas aos médicos. Esses são os sintomas que podem resultar de uma desordem no sistema vestibular periférico (uma disfunção dos órgãos de equilíbrio do ouvido interno) ou de uma desordem no sistema vestibular central (uma disfunção de uma ou mais partes do sistema nervoso central que ajuda a equilibrar o processo e a informação espacial).

Embora estes três sintomas possam estar ligados por uma causa comum, eles têm significados diferentes, e descreve-los com precisão pode significar a diferença entre um diagnóstico bem sucedido ou não.

HÁ MAIS DE UM TIPO DE DISTÚRBIO VESTIBULAR

Os distúrbios vestibulares mais comumente diagnosticados incluem:
- vertigem posicional paroxística benigna (VPPB),
- labirintite ou neurite vestibular,
- doença de Ménière (síndrome da hidropisia endolinfática secundária).

Distúrbios vestibulares também incluem:
- Síndrome de Deiscência de Canal Semicircular Superior,
- Neuroma do Acústico,
- Fístula perilinfática,
- Ototoxicidade,
- Síndrome do aqueduto vestibular alargado,
- vertigem associada à enxaqueca,
- Síndrome de mal de debarquement (doença de desembarque).

Outros problemas relacionados com disfunção vestibular incluem:
- complicações de envelhecimento,
- doenças auto-imunes,
- alergias.


Esquema do ouvido interno mostrando o vestíbulo, a cóclea e os nervos vestibular e coclear

OS SINTOMAS DOS DISTÚRBIOS DO SISTEMA VESTIBULAR

Os sintomas de disfunção vestibular podem ser leves, com duração de apenas alguns segundos ou minutos, ou podem ser graves, resultando em incapacidade total.

Os sintomas mais comuns das disfunções vestibulares estão listados abaixo:
- Desequilíbrio ou instabilidade,
- Vertigem (sensação que o ambiente gira ao redor do corpo, ou que este roda em relação ao ambiente),
- Tonturas (sensação de desequilíbrio, instabilidade, de pisar no vazio, de queda),
- Visão turva,
- Náuseas,
- Alterações auditivas,
- Problemas com a coordenação motora, pensamento e memória.

Além disso, as pessoas com distúrbios vestibulares  podem sentir:
- dores de cabeça,
- dores musculares no pescoço e nas costas,
- um aumento da tendência para sofrer de doença do movimento,
- sensibilidade elevada ao ruído e luzes brilhantes.

Pessoas com distúrbios vestibulares frequentemente relatam fadiga que pode ser tão grave a ponto de interferir na leitura e na capacidade de fala.
Se os sintomas persistirem, uma pessoa pode experimentar um aumento da irritabilidade, a  perda da auto-estima e depressão.
Nem todos os sintomas são experimentados por todas as pessoas e outros sintomas são possíveis.

CAUSAS DOS DISTÚRBIOS DO SISTEMA VESTIBULAR

Traumatismo cervical e pancadas na cabeça são causas comuns de distúrbios vestibulares em pessoas com menos de 50 anos de idade.
Exposição a repentinas ou significativas mudanças de pressão, como ocorrem durante um mergulho ou durante uma subida ou descida repentina de uma aeronave, podem ferir o ouvido.
O envelhecimento pode, também, alterar o sistema vestibular e resultar distúrbios do equilíbrio.

As infecções de ouvido também podem causar danos às estruturas vestibulares e auditivas do ouvido interno, incluindo os nervos que transmitem os sinais do ouvido ao cérebro.
As doses elevadas ou uso prolongado de certos antibióticos podem ser ototóxicas, o que significa que causam danos permanentes ao ouvido interno. Outras drogas, como a aspirina, cafeína, álcool, nicotina, sedativos, e tranquilizantes, podem causar tonturas temporárias mas, tipicamente, não resultam em danos permanentes ao sistema vestibular. 

Enxaqueca ou acidente vascular cerebral podem afetar o sistema vestibular reduzindo ou impedindo o fluxo de sangue para o ouvido interno ou cérebro.
Em muitos casos, a causa subjacente de um distúrbio vestibular não pode ser determinada. Por exemplo, a definição da doença de Ménière é "a idiopática Síndrome de hidropisia endolinfática ". Idiopática significa "de causa desconhecida."
Da mesma forma, embora ferimentos na cabeça e o avanço da idade sejam causas comuns de VPPB, cerca de metade de todos os casos de VPPB não têm nenhuma causa identificável subjacente.


Esquema geral do ouvido mostrando a localização do ouvido externo, do ouvido médio e do ouvido interno

DIAGNÓSTICO DAS DISFUNÇÕES VESTIBULARES

O diagnóstico de uma disfunção vestibular baseia-se numa combinação de testes e

inspeção cuidadosa da história do problema no paciente.

Um exame físico completo é essencial para descartar outras causas de tontura, como doença cardiovascular ou Doenças do sistema nervoso central.

Testes podem ser realizados para medir a audição, o movimento dos olhos  e o equilíbrio.

Audição: Porque o sistema vestibular está intimamente ligado ao aparelho auditivo, identificar uma alteração na audição pode dar pistas sobre a forma de como o sistema vestibular está funcionando. Testes auditivos podem incluir testes audiométricos (que medem a capacidade que uma pessoa tem de ouvir sons e reconhecer palavras em várias frequências e volumes), imitanciometria ou impedanciometria (mede a função do tímpano), teste de reflexo acústico (mede os reflexos musculares do ouvido com sons altos), teste de emissões otoacústicas (mede a capacidade de resposta das células ciliadas na cóclea), eletrococleografia (mede como os sinais de som movem-se a partir do ouvido ao longo do início do nervo auditivo).

Movimentos oculares: A capacidade dos olhos de manterem os objetos focalizados durante os movimentos da cabeça depende de informações do sistema vestibular. Os movimentos oculares que ocorrem durante as várias mudanças posicionais podem ser registrados durante uma eletronistagmografia (ENG) ou videonistagmografia (VNG) e teste da cadeira rotatória. Às vezes, uma prova calórica, envolvendo a lavagem do canal auditivo com água morna e em seguida, água fria, também é utilizado para comparar o funcionamento de cada ouvido interno.

Equilíbrio: Os órgãos vestibulares fornecem informação sensorial sobre equilíbrio, movimento, e aceleração. Distúrbios destes órgãos afetam negativamente o equilíbrio, a postura e o movimento. Estes efeitos negativos podem ser medidos e registrados através da dinâmica computadorizada posturográfica, que utiliza uma plataforma móvel especial ou pelo Potencial miogênico evocado vestibular , ensaio utilizado para avaliar se o sáculo e o nervo vestibular inferior estão intactos e funcionando normalmente.

PREVALÊNCIA E INCIDÊNCIA DOS PROBLEMAS DE EQUILÍBRIO

Por causa das dificuldades existentes em diagnosticar e relatar com precisão os problemas de distúrbios vestibulares, as estatísticas estimando quão comum eles são, com que frequência eles ocorrem e quais seus impactos sociais variam amplamente.
No entanto, mesmo a menor das estimativas reflete o fato de que os distúrbios vestibulares ocorrem com muita frequência e podem afetar pessoas de qualquer idade.

Um grande e recente estudo epidemiológico efetuado nos Estados Unidos estima que mais de 35% dos adultos com 40 anos ou mais de idade (cerca de 70 milhões de americanos) experimentaram alguma forma de disfunção vestibular.
Nesse estudo, feito pelo NIDCD (National Institute on Deafness and Other Communication Disorders), foi constatado que mais de 4% (8 milhões) de adultos americanos relataram um problema crônico com o equilíbrio, enquanto  cerca de 1,1% (2,4 milhões) relataram um problema crônico de tontura somente.

Oitenta por cento das pessoas com 65 anos ou mais, já sofreram com tonturas e, a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), o mais comum dos distúrbios vestibulares, é a causa de aproximadamente 50% das tonturas em pessoas idosas.
No geral, vertigem por um problema vestibular responde por um terço de todas as tonturas e sintomas de vertigem relatados para profissionais de saúde.

Os sintomas de tontura crônica ou desequilíbrio podem ter um significativo impacto sobre a capacidade de uma pessoa, desabilitando-a para realizar uma ou mais atividades diárias tais como, tomar banho, vestir-se, ou simplesmente se locomover dentro da casa. Isso afeta 11,5% dos adultos com tontura crônica e 33,4% dos adultos com problemas crônicos de equilíbrio.

Os dolorosos impactos econômico e social da tontura são significativamente subestimados. Disfunções vestibulares afetam profundamente não só adultos, mas também crianças.
Além dos prejuízos no desenvolvimento motor e do equilíbrio, as deficiências do sistema vestibular podem causar instabilidades na visão que inibem, nas crianças, o aprendizado da leitura. Apesar de uma nova consciência para as disfunções vestibulares pediátricas, as crianças ainda não estão, totalmente rastreadas para eles e, como consequência, frequentemente não recebem o devido tratamento médico para seus sintomas.

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